A articulação entre redes de fortalecimento enquanto prática subversiva de resistência encontra sua potência quando tem na afetação sua principal motivação. A partir da vivência, as afetações são afinadas e os fazeres vão-se encontrando caminho à emancipação de nossas existências.
Assim é com o coletivo ocupante d’A CASINHA – ocupação-resistência e residência, que ocupam um espaço antes abandonado tanto pelo poder privado quanto pelo poder publico. O espaço, abandonado por cerca de três anos – onde antes situava a Unidade de Saúde da Família -, agora abriga uma exclamação: a urgência da existência! E é nessa encruza o nosso encontro. Na investigação e experimentação de práticas que nos distancie cada vez mais de uma sociedade de produção e seu binômio consumo. Propondo vivências urgentes, o coletivo formado por estudantes da UFS abandonou o aluguel e ocupou um espaço que além de lhes servir de moradia abrigará diversas atividades que experimentam um existir autônomo e fortalece resistências marginais.
Pois, foi nessa onda que a Dhuzati colou junto no primeiro dia de atividades do espaço, o LARICAÇO SOLIDÁRIO + Sarau d’A CASINHA. O dia começou às 16:20h com uma receita já servida por nós no SABAMATA, a Muqueca de Frutos do Mato, acompanhada de arroz e farofa de cenoura, preparada coletivamente, da forma mais saborosa possível com os ingredientes reciclados no Mercado Popular de Aracaju e preparada à varias mãos nada civilizadas.
O prato foi servido gratuito para cerca de 50 pessoas que após participaram de uma roda de diálogo sobre vário temas e, junto com a CORDEL ANARQUISTA, trocamos uma ideia sobre políticas de ocupação: articulação em redes para ações autogestionadas. O papo também contava com a colaboração do coletivo local SARAU DEBAIXO, que ocupa os viadutos da cidade com arte e poesia, e falamos muito em como articular ações locais que envolvam a comunidade da Faixa de Gás, comunidade onde se encontra a ocupação que não pode ser pavimentada e sofre com falta de saneamento com desculpa de que tubulações da Petrobrás passam por baixo da terra onde vivem essas pessoas. A noite continuou com sarau e shows.
O fato de a ocupação estar dentro da comunidade nos faz refletir sobre como nossas práticas de emancipação já são vividas por corpos marginais que buscam simplesmente sobreviver àquilo que estamos tentando nos livrar. Nós que tentamos fugir das garras do capitalismo e seus labirintos através de práticas já utilizadas por corpos que sequer tiveram a oportunidade de participar dos jogos de poder deste cistema. O recicle que nos empodera aos nos retirar da lógica mercadológica em nossa alimentação que já é praticada por corpos que sequer tem a possibilidade de entrar nos mercados. E então, nossas afetações políticas se afinam com essas potencialidades de vida, uma vez que não é desejando assimilar o poder que o iremos destruir e sim através de nossas microrelações. Ao nos fortificar com essas redes invisíveis é que encontramos criatividades para estar sempre questionando nossas práticas.
Neste sentido o projeto de ocupação A CASINHA se entrelaça à comunidade da Faixa de Gás na experimentação e investigação conjunta de uma existência longe das disputas de poder e na batalha do existir. Pirateando as ferramentas do cistema e autonomizando o fornecimento de água e energia elétrica para o espaço. Nos mutirões de limpeza. Nas brincadeiras, trocas e fortalecimentos doados pelas crianças que frequentam o espaço cotidianamente. No compartilhar do jantar.
E inspiradas por este fortalecimento, passamos aqui também o pedido que se estende à toda rede que acredita na construção de possibilidades reais de emancipação. Acreditando no apoio de parceirxs, o coletivo disponibiliza uma conta bancária para que possamos estar incentivado as ações realizadas na okupa:
banco do bra$yu
ag. 3546-7
c.c. 39447-5
Juliana A. A. Silva
Tais incentivos ajudariam na estruturação da casa e na compra de materiais como pia para cozinha, torneira para cozinha e banheiro, canos de instalação doméstica, tinta para parede, cimento, portas, telhas, enxada, pá, carrinho de mão entre outros.
VIDA LONGA À CASINHA!!