O veganismo não é um clubinho de gente branca preocupada com o que vai consumir

É básico e elementar no ativismo político contemporâneo, reconhecemos que as filosofias políticas não são propriedades de ninguém. Na realidade a crise da democracia e dos sistemas de representação são exatamente por não darem conta da pluralidade existente.

Na contramão desta premissa, o portal Vista-se numa atitude desesperada, revelando incomodo com toda a criticidade contra uma concepção mercadológica de veganismo, faz algumas associações desonestas e torpes a fim de impor autoridade e se autointitular a verdade dentro do movimento. Nada de novo, assim como homens brancos se intitularam a verdade sobre o que é ser humano, desumanizando tudo que não é seu espelho, Fábio Chaves trás ONGs e celebridades internacionais brancas para defender a indústria alimentícia que, em busca de novos consumidores e através de estratégias alienação, lançam misturas químicas sintéticas processadas sem nada de origem animal, tendo a petulância de chamá-la de comida vegana. Qualquer semelhança com os donatários das capitanias, que faziam de tudo para não desagradar a coroa não é mera coincidência é colonialismo mesmo, só que aqui a metrópole é a Vegan Society.

A questão é, que isso não pode ser visto como avanço do veganismo e sim como sofisticação da indústria de exploração animal em absorver uma demanda que coloca em cheque o cerne de seu lucro. Estar no ativismo político e não se dá conta das estratégias do capitalismo para assimilar pautas que ameaçam sua operação, bem como acreditar que é na ascensão de um mercado “vegano” que a libertação animal acontecerá não passa de um exagerado exemplo de ingenuidade e má compreensão de todo um sistema de opressão que se inicia aproximadamente com o surgimento da agricultura e ganha patamares inimagináveis com a modernidade trazendo o capitalismo e sua industrialização a reboque.

Exatamente neste momento que estamos empenhadas em desenvolver algumas considerações sobre veganismos subversivos a convite da Ape’Ku Editora, nós gostaríamos de dizer a você que entende o veganismo a partir do antiespecismo e enquanto filosofia política, que a Vegan Society e o Vista-se embora sejam propagadores da causa, não são donos do movimento, aliás ninguém o é! Um movimento político se faz de várias vertentes e correntes, inclusive algumas até contraditórias entre si, é assim com o feminismo, o anarquismo, o liberalismo, o comunismo e não seria diferente com o veganismo. Na prática pra quem se afina com o veganismo porque o entende como uma ética de justiça social, opinião pessoal é quem distorce seu sentido político para focar seu entendimento como padrão de consumo. O veganismo liberal e branco nunca poderá responder por todo o veganismo, simplesmente porque, como padrão de consumo, ele está a serviço do mercado e da supremacia branca e não dos animais.